O Caminho das pedras…

Eu nem ia postar isso hoje, mas quando entrei no aviao e a comissaria me deu a Veja com as ultimas noticias do Brasil, nao resisti e tive que escrever……

– Voltem!!!!! Rápido!!!!! Rápido!!!!

Acordamos as 3:30 da madrugada, tomamos café e levantamos acampamento, era preciso começar o dia bem cedo para chegarmos a Machu Picchu pela Porta do Sol e ter a visao mais linda e perfeita  da cidade .

Estávamos indo tranquilamente quando o guia gritou desesperado, as palavras acima. O pânico tomou conta da gente:

– Apoiem-se na rocha!!!! Apoiem-se na montanhaaaa!!!!

Um barulho horroroso sucedeu a essas palavras, parecia um terremoto,. Segundos que parecem anos.

Quando tudo se calou, nao tinhamos forças pra perguntar o que era, todos estavamos assustadíssimos, foi quando nos demos conta:  Uma avalanche acabara de acontecer na nossa frente. Arvores foram arrancadas pela raiz, uma onda de terra desceu centenas de metros montanha abaixo.

Um mar de terra que nos separava de um grupo de australianos e alemaes que sairam minutos antes de nós. Será que eles foram atingidos?

 Segundos nos separaram da morte.  O “Quase” aconteceu. “Quase” uma palavra tao pequena, mas que muda uma história, nos dá vida ou nos alcança com a morte. Lembrei dos deslizamentos que aconteceram no Rio de Janeiro o ano passado, (estava sem noticias do que acontecia no Rio este ano). Pensei: O barulho que as pessoas descreviam era igual, mas nao tinha vitimas, nao tinha morte, nao tinha dor, somente medo. Muito medo. Respeito.  Comentei com o Paolo que se algum de nós tivesse morrido e eu nao. Eu nunca entenderia o porquê do “eu nao”. Como maes e pais que perdem seus filhos, pessoas que perdem seus amados no mesmo momento que sao “eleitos” para viver. Como entender?  Pensei tanto no grupo que estava adiante. Queria abraça-los, queria comemorar a vida. Assisti com o Paolo em Lima o filme: Mas allá de la vida. Do Clint Eastwood, no Brasil o título é: Além da vida. Fala de como a nossa vida muda quando a morte nos toca. Como a morte é capaz de encher nossa vida de vida, de sentido, de plenitude.

Acho que é isso mesmo. Depois do ocorrido tivemos que regressar e alterar nossa rota.  Eu nao queria falar com ninguém, queria ouvir a voz do silêncio, queria agradecer por estar viva,  vi a morte e fiquei cheia de vida.

Horas mais tarde chegamos a Cidade dos Incas. O Centro energético do mundo como dizem os esotéricos, o umbigo do mundo como preferiam os Incas. Vi  pessoas tocando as pedras para se energizarem, meditando, se espantando com a arquitetura com o vigor de um povo quase primitivo que foi capaz de construir uma cidade em cima das montanhas. Nao seria mais lógico construir no vale? Perto do Rio Urubamba que serpenteia toda aquela regiao? Essa escolha pelo local tem a ver com essa energia localizada ali, como acreditam muitos?

Eu nao sei dizer. Só sei que todas as manhas antes da caminhada eu convidava Deus a vir comigo, pra me dar força e livramento, naquela manha eu nao o convidei, esqueci, mas ele veio mesmo assim.

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3 respostas para O Caminho das pedras…

  1. Nossa Di,q livramento mesmo,qtas vezes ouvimos dizer sobre esse lugar, qtas coisas aconteceram ali,mas o melhor de tudo é poder dizer assim: quase..quase aconteceu algo horrível, mas de todas o Senhor te livrou. Bjus linda..saudades

  2. Nilsa disse:

    Olá, minha linda !

    Já estive à beira da morte, eu diria, algumas vezes. E o que tiramos disso? Que a nossa vida é efêmera e muito frágil? Talvez… Mas no que eu penso, depois que a poeira assenta, pois durante é impossível pensar, que o mais importante é ser feliz, esquecer as máscaras impostas pela sociedade e viver cada minuto esgotando-lhe a felicidade, que, como sabemos, está nas coisas e nos atos mais simples e que já conhecíamos tão bem quando crianças … Ai, também está o verdadeiro Deus.
    Beijos,

    Nilsa

  3. Rose disse:

    Que interessante isso que vc diz Lola: Ver a morte pra se encher de vida…dois opostos…uniao, equlibrio de opostos…nao e disso que a vida e feita? Deste equilibrio?

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