Crônica de uma menina triste by Nina

Este post quem escreveu foi a Nina uma amanauense que casou com um alemao e hoje mora na Alemanha, acho o blog dela uma graça, como muitas vezes me sinto e me senti como ela resolvi posta-lo aqui:
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Existem tristezas que nao saem da gente. Nao importa o que a gente faz pra tentar esquecê-las.
Tem coisa que eu queria esquecer, tanta coisa chata, triste, aborrecida. Mas como???? Como fazer pra apagar aquilo que passe o tempo que for, nunca se apaga?
Aí eu penso se na verdade, eu só tenho a ilusao de que eu tive uma bela infância… de repente, é isso mesmo, as minhas belas lembrancas nao passam de ilusao. Eu nao fui uma menina feliz nada, eu fui na verdade, uma menina muito triste!! Muito triste!!
Como pode uma menina que foi  tao criticada desde que nasceu, se dizer feliz?
Diz aí.
Me diz como uma menina que cresceu ouvindo que era feia (a mais feia das irmas), pequena demais (a menor de todos), cabecuda (cabeca grande e levemente deformada, com poucos e ralos fios de cabelo) que era xingada de japoca (como se isso fosse uma coisa feia, como se no Amazonas, todas as criancas, meio indígenas nao tivessem o olho de japoca…), que nao falava até os três anos de idade (batia na bochecha indicando que queria comer), que se sentia pouco amada, porque afinal, como se sentir amada se você só ouve o quanto é feia, chorona, baixinha o tempo todo? A autoestima de uma  menina assim  era desde muito pequena, tao baixa que podemos dizer, que era inexistente, uma autoestima inexistente… uma menina que cresceu se sentindo um patinho feio na família. Que sempre se viu horrível, feia, pouco amada, que sempre se sentiu um nada completo, um completo e vazio nada! Me diz, como pode uma menina assim se dizer feliz????
Eu sinceramente nao sei.
Nao sei o que aconteceu comigo.
Nao sei em que ponto da minha vida eu disse um basta pra isso tudo. Nao sei quando comecou essa vontade de virar o jogo. Mas o fato é que eu  virei o jogo a meu favor.
Quando eu te digo que eu fui muito triste, acredite em mim… Nao é só coisa da minha cabeca, nao é só coisa criada por uma menina que se via sempre tao recriminada e pra baixo, eu era triste mesmo e acredite também nisso, eu tinha razoes pra me sentir assim.
Mas eis que eu virei o jogo!
Se eu fiquei bonita? Se eu cresci? Se meu cabecao desentortou? Se meus cabelos cresceram?
Na verdade, sim e nao.
Se me amaram?????
Nao também. Ou sim, muitas vezes.
Mas o lance foi quando eu passei a me amar.
E eu nao sei o que houve, qual foi  o momento dessa virada…
Sabe? Eu tive uma vida dura, a minha vida adulta foi uma continuacao da minha infância em alguns pontos. Tendências eram seguidas constantemente. Eu nao sabia dizer nao. Pra muitas coisas e pessoas. Eu nao dizia nao na minha infância. E nao dizia nao enquanto adulta…
Entao foi a partir dissso, foi aí  que eu aprendi.
Primeiro eu disse nao pra algumas pessoas e disse sim, pra mim.
Finalmente eu disse sim pra mim.
Sabe quando você finalmente acorda de um sono profundo, como se estivesse dormido por longos anos? E entao, acorda e vê que ainda tem tempo de consertar as coisas que ficaram mal acabadas?
Projetos inacabados…
Foi assim comigo… só que eu precisei de um  tempo depois do acordar, porque nada pode ser consertado de repente, de um dia pro outro. É tudo um processo e você precisa ter paciência consigo mesmo. E com todo o resto do mundo que tá esperando há anos que você tome uma decisao.
E aí eu nao sei qual foi esse momento. Eu nao sei.
Eu só sei que eu chorei muito. Eu já chorei muito.
Eu chorava todo dia, sabia?
Eu chorava todo dia e o dia que eu nao chorava, eu me perguntava porque? Porque eu nao chorei ainda hoje? Entao, eu chorava, chorava de solucar… e eu me pegava com todos o santos, fazia meditacao, queria ser zen, recitava oracoes que prometiam curas milagrosas… e isso por longos e longos anos.
E nada.
Eu continuava a chorar todo dia.
E aí entao, eu me vi de novo.
Quando?
Acho que foi quando eu passei a me ver como merecedora de coisas boas.
Se eu era feia, pequena demais, pouco amada, eu passei a ser amada por mim mesma. Mesmo sendo tudo isso ou nada disso.
Afinal, eu valia à pena!
Teve alguém que me colocou nesse mundo, teve alguém que enxergou em mim alguma coisa, teve alguém que esperou algo a mais de mim, teve alguém que botou fé em mim, que viu algo de legal, que me destinou uma missao, teve alguém.. teve sim…
Acho que Deus dá a cada um de nós uma missao.
O mundo conspira a nosso favor, até que a gente enxergue isso.
Que a gente tá aqui por uma razao.
Que as coisas ruins que acontecem com a gente tem uma razao pra existir.
Tem um porquê pra tudo, e esse porquê demora a ser entendido por nós, que somos tao imediatistas.
Eu tive que compreender que  mesmo que eu tenha tido uma vida dura, eu nao fui mole.
o ponto crucial foi quando eu parei, definitivamente de me fazer de vítima.
Foi aí que a menina cresceu e disse que sim, que ela foi e é, sim, uma menina feliz…
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