Memorias

Estava aqui tentando entender a dificuldade de concentração que tenho tido ultimamente. Sempre gostei de ler e sempre tive pouco tempo pra isso, mas nunca deixei de ler um livro por falta de tempo. Agora que tenho todo o tempo do mundo não consigo me concentrar na leitura. É fase? A internet nos rouba tempo útil? A qualidade do que escrevo caiu consideravelmente por conta de estar lendo pouquissímo, toda semana renovo juras de comprometimento em abandonar esse vício que é internet e tal qual a dieta que deixamos pra segunda-feira isso nunca se concretiza. Me lembrei que no passado quando não tinha uma ajudante em casa, os meninos eram menores eu lia , me exercitava, arrumava tempo para escrever cartas (isso escrevia cartas até a pouco tempo e sim as colocava no correio, acho delicia receber carta que não seja do banco), ah e não tinha carro, fazia compras com bicicleta. Aliás amanhã quero postar um e-mail que mandei as minhas amigas a um tempo atrás contando de um fato que me aconteceu no supermercado.
Hoje embargada nessa nostalgia de mim mesma transcrevo um e-mail que mandei a umas amigas quando morava na Espanha não tinha blog e como vcs podem ver tinha tempo para atualizá-las com minhas descobertas.
Segue:
“- Mae, voce nao vai fazer nada?”
Francesco estava indignado com a cena.
Uma senhora joagando na lixeira um lote de livros.
Era tudo que eu precisava, para tomar uma atitude. Perguntei a ela se eu poderia ficar com os livros, ela num misto de estranhesa e vergonha, me disse que sim e que a maioria já estava dentro da lixeira. Nao tive dúvidas: – Checco, segura a mamae
pelas pernas para que eu nao caia dentro da lixeira, eu vou salvar todos estes livros.
– Legal mae eu te ajudo.
Coloquei metade do meu corpo dentro da lixeira, o checco me segurando pelas pernas e era só livro que voava pra fora. Passou um casal e disse: ¡ Vaya que raro! Legenda: Que doida!
Pronto estao todos salvos, os olhos deles brilharam: – Mae a gente vai ler todos? Acho que nao respondi. Entao porque a gente os salvou da morte?
– Filho mesmo que a gente nunca leia alguns destes livros, as palavras nunca morrem, elas vivem dentro do coracao de alguem seja quem escreveu, ou seja de quem leu.
– Tá bom mae, mas alguns a gente vai ler nao vai?
– Prometo.
Tres viagens, peso danado, limpa, limpa, espirra, abre lê resenhas, de repente uma dedicatoria: ” Para vc meu amor, esta historia lembrou-me da nossa. Historia de amor impossivel. Te quero. Juan Lopez 1957″
Fiquei super curiosa para ler o livro, para saber a historia de amor impossível. Fiquei imaginando o destino deste casal. Será que ficaram juntos? Cinquenta e dois anos depois estao vivos? Casaram? Em caso afirmativo, será que ele ainda compra livros para ela? Se nao, será que lembram um do outro? Fiquei apaixonada pelo Juan Lopez. Linda iniciativa. espero que nao tenha sido a dona do livro que o tenha jogado fora. Nao se joga fora um livro, um sentimento, uma historia de amor. Nao se joga fora um tempo. Um dia vou lê-lo.
Quando eles ainda estavam na escola, pois agora estao de ferias, as aulas comecam dia 14/09 junto tambem comeca uma campanhia nacional de vacinacao contra a gripe A, na Espanha o pais com maior casos de gripe suína na Europa os óbitos somam 14. Como dizia o Pietro um dia voltou da escola e me disse: – Mae, tenho um trabalho de Historia pra fazer e a professora disse que podemos pesquisar no google.
– Ja disse para nao falar palavrao menino!
– Mae nao é palavrao é google o buscador da internet.
– Por isso mesmo filho, vamos já para biblioteca.
Larguei tudo que estava fazendo e fomos até a biblioteca, buscamos livros, achamos outros que nos levaram a caminhos inimagináveis ampliou nossa visão sobre o assunto, descobrimos livros que nem sequer buscávamos, enfim uma aventura. No meio de tudo isso o Pietro me falou: – Mãe é muito mais legal vir a biblioteca, a gente fica juntos, se diverte, o Checco acha livros de historias incríveis, eu faço meu trabalho e ainda por cima levamos DVD para assistir em casa. Eu fiquei super feliz em ouvir aquilo, alguma coisa minha está ficando dentro deles. Para comemorar no final de tudo tomamos chá , chocolate quente com magdaleñas integrais quentinhas, no café ao lado da biblioteca. São momentos impossíveis se nos enterrarmos na frente de um computador.
Sempre pensei que nao basta ler, é preciso ler bem. Ler com qualidade. Assim como nao basta comer, temos que comer bem, comer sano. Hoje temos um numero alto de obesos mórbidos, provavelmente esta geracão viverá menos que seus antepassados. provavelmente esta geracao que lê somente os dez melhores da Veja é mais manipulavel, menos critica, que uma geração que escolhia o que ler baseado em outros critérios.

Queria dizer que vocês estão dentro dos livros que leio, folheio, dentro do livro que escrevo diariamente com a minha vida.

Antes que eu me esqueca: Meu pai amava literatura de cordel.

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7 respostas para Memorias

  1. Geoffrey Sullivan disse:

    Memórias como essas não têm preço. E repassá-las aos outros, por escrito, as tornam eternas. Excelente trabalho, continue assim.

  2. Lucinda disse:

    Di, como é bom esses momentos com nossos filhos e com pessoas que amamos. bjusss amei o que li.

  3. CLEIDE disse:

    Di, lembro sim, da “Crônica”, agora o que escrevi não lembro. A cabecinha aqui está ficando com os cabelos brancos e as lembranças ficam muito escondidinhas dentro de meu “arquivo cerebral” ( e tem tanta coisa nele, e acho que tudo fora das pastas que está difícil de encontrar).
    Mas que bom que foram coisas que te elevaram.

    beijos no coração.

  4. Sou nova por aqui mas estou gostando muito dos seus posts. Também nutro uma paixão por livros e não sei ficar sem eles. Onde vou levo um , caso dê tempo estou lendo, não perco tempo. Mas concordo com você quanto à internet. Também estou viciada nisso. Conheci pessoas legais virtualmente falando. Sei que o relacionamento é superficial e são poucos que deixam trasparecer seus defeitos. Mas gosto muito de estar conectada e gasto muito do meu tempo digitando, vendo vídeos, visitando blog que eu gosto, páginas de artistas que amo e muito mais. Estou recebendo as publicações do seu blog por e-mail. Bom te conhecer. Não lembro qual blog visitei e indicavam você, mas tudo bem.Beijão ♥♥♥

  5. Jana Arruda disse:

    Di, querida!
    “…A qualidade do que escrevo caiu consideravelmente por conta de estar lendo pouquissímo…” Acredito q somos como algumas árvores: alguns anos dão muitos frutos, bons ou não tão bons… Em outros, poucos frutos, bons ou não tão bons. Ms, não deixam de ser frutíferas! Já, já passa a fase, e teremos muitos bons frutos seus! Por ora, nos alegramos com os bons frutos q vierem! Bjs. ;o)

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